No início da noite desta terça-feira, a atriz Marcelia Cartaxo recebeu o Troféu Oscarito no Palácio dos Festivais. “Nestes 40 anos de carreira, tive muita resistência, atravessando todas as diversidades na minha família e no meu trabalho. Encontrei coisas que fizeram eu superar tudo isto, que foram a alegria de viver estes personagens com amor e sinceridade. Comecei em teatro muito cedo, com 12 anos de idade. Tive a oportunidade de estar com uma peça em São Paulo e encontrei a cineasta Susana Amaral realizando o seu primeiro longa. Queria compartilhar este prêmio e esta memória a esta grande diretora.
Ela acreditou em mim, enquanto todos diziam que eu ainda não estava pronta para ser atriz, ela nunca fez um filme. Fui para o teste e tive a honra de vivencia a Macabéa, que me levou para vivenciar o audiovisual brasileiro”, disse, lembrando que participou de muitos filmes, longas, curtas e médias. “Tive que fazer escolhas ou iria estudar e ficar na minha cidade ou eu iria fazer ‘A Hora da Estrela’ e fiz tudo para que a minha mãe e as pessoas da minha cidade (Cajazeiras, PB) aceitassem a minha decisão. Foi aqui no Festival de Gramado foi onde eu tive as minhas maiores alegrias, sendo aplaudida em cena aberta e sendo aplaudida fora do Palácio dos Festivais”, destacou.
Um pouco antes de receber a honraria, ela concedeu uma entrevista coletiva aos jornalistas que cobrem o Festival. “Essa profissão me preenche”. Esta foi uma das frases que Marcelia falou no bate-papo com a imprensa. Ela destacou que o convite da diterora Susana Amaral para que ela fizesse o papel de Macabéa, uma jovem nordestina que chega a São Paulo, no filme “A Hora da Estrela” (1985), baseado no livro de Clarice Lispector, foi fundamental em sua carreira. “Aprendi muito com a Susana”, destaca.