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Laudo do Instituto Médico Legal (IML) traz detalhes da morte Pâmela do Nascimento de 27 anos que estava grávida. Leia

No mesmo dia em que foi espancada e morta, Pâmela do Nascimento, de 27 anos, que estava grávida, chegou a ter o celular quebrado e foi atendida em um posto de saúde após a primeira agressão. A cronologia do crime, que aconteceu no dia 7 de setembro, em Poço de José do Moura, no Sertão paraibano, foi explicada pelo delegado Glauber Fontes, da Delegacia de Homicídios de Cajazeiras.

O principal suspeito de ter matado Pâmela é o marido da vítima, Hélio José de Almeida Feitosa, que está foragido. Ela foi assassinada na noite de segunda-feira (7). De acordo com a Polícia Civil, a versão contada pelo suspeito em depoimento é “totalmente mentirosa”. O homem também é suspeito de provocar um aborto na vítima após agressões, em fevereiro.

O laudo do Instituto Médico Legal (IML) identificou que Pâmela sofreu pancadas no abdome, que resultaram em uma hemorragia interna, e teve duas costelas fraturadas. Ela estava com três meses de gestação.

Cronologia do feminicídio de Pâmela do Nascimento, segundo a polícia

9h30 – Houve a primeira discussão entre o casal, na casa onde moravam. Vizinhos deles relataram ouvir a discussão, que teria sido provocada por ciúmes. Durante a primeira discussão, Hélio já quebrou o celular de Pâmela. “Ele arremessou o celular da vítima contra o solo”, disse o delegado.

10h05 – Pâmela consegue se comunicar com uma amiga (a polícia não informou o meio usado pela vítima para entrar em contato com a testemunha) e relata o que aconteceu, confirmando que havia sido agredida e que seu celular tinha sido quebrado.[Primeiras agressões aconteceram na casa onde o casal morava, em Poço de José de Moura, PB — Foto: TV Paraíba/Reprodução]Primeiras agressões aconteceram na casa onde o casal morava, em Poço de José de Moura, PB — Foto: TV Paraíba/Reprodução

10h30 – Pâmela sente fortes dores de cabeça e relata a Hélio. Ele, então, a leva ao posto de saúde de Poço José do Moura, onde ela foi atendida.

12h – Pâmela e Hélio voltam do posto para a casa onde moravam. O horário de retorno foi confirmado à polícia por um vizinho, que viu o casal retornando à residência.

16h40 – Uma amiga de Pâmela vai até a casa dela fazer uma entrega de um bolo, que havia sido encomendado por ela anteriormente. Pâmela recebeu o bolo e disse à amiga que, posteriormente, faria o pagamento.

19h – A última vez que a vítima foi vista com vida. Pâmela e Hélio saem de casa em direção ao sítio “Outro Lado”, zona rural do município onde moravam, para efetuar o pagamento do bolo (que havia sido entregue às 16h40). Até as 19h, Pâmela estava aparentemente normal, sem marcas evidentes de agressões. Segundo o relato da amiga da vítima, ela teria conversado normalmente, efetuado o pagamento do bolo e não havia nenhum sinal que demonstrasse as agressões.

Entre 19h e 19h20 – Pâmela dá entrada no posto de saúde desacordada. O próprio suspeito quem leva a vítima até a unidade de saúde. Ao chegar no posto, o funcionário informou que aquele tipo de atendimento não poderia ser feito no local e é feito o acionamento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Nesse momento, segundo o delegado, o suspeito “começa a ludibriar as autoridades”, dizendo ao médico do Samu que a esposa teria tido um desmaio repentino e que teria ferido o tornozelo quando caiu. Pâmela é encaminhada, ainda desacordada, para o hospital de São José do Rio do Peixe. No entanto, antes de dar entrada no hospital, a vítima teve uma parada cardiorrespiratória e morreu dentro da ambulância do Samu.

Polícia Civil revela que principal suspeito de matar grávida é o companheiro dela

Prisão em flagrante não efetuada

Segundo o delegado Glauber Fontes, o suspeito não foi preso em flagrante no dia do crime porque as lesões da vítima não eram aparentes e a única pessoa que esteve com a vítima no momento do crime foi o próprio suspeito. Além disso, segundo ele, não havia nenhuma informação com a Polícia Civil de agressões anteriores de Hélio contra Pâmela.

Quando Hélio José de Almeida Feitosa foi levado até a delegacia, relatou que não tinha espancado a mulher. Hélio disse apenas que Pâmela tinha passado o dia reclamando de dores de cabeça e sentindo-se mal. “Ele omitiu completamente os fatos e contou uma história totalmente mentirosa, que não se sustentou nem até o dia seguinte”. O homem foi liberado após depoimento e quando, no dia 8 de setembro, policiais foram até a residência para intimá-lo, ele já tinha fugido.

Hélio José de Almeida Feitosa é procurado pela polícia pelo feminicídio da esposa grávida e ainda por provocar aborto contra a vontade dela, em fevereiro — Foto: TV Paraíba/Reprodução

De acordo com o delegado, o laudo do Instituto de Medicina Legal (IML) demonstrou que a vítima não tinha lesões aparentes. “Aparentemente não era possível saber a causa da morte. Após o laudo, no dia seguinte, ficou constatado que a vítima tinha sofrido diversas pancadas na área abdominal, que resultaram em uma hemorragia interna que evoluiu a ponto de desencadear a parada cardiorrespiratória e morte da vítima, que também teve duas costelas fraturadas”, disse.

No dia seguinte ao crime, a polícia começou a ouvir o depoimento de todas as pessoas próximas a Pâmela, ou que, de alguma forma, tiveram contato com ela no dia 7 de setembro. “A partir daí, foi possível montar toda a história do dia do crime”, contou o delegado.

Segundo a Polícia Civil, a primeira fase da investigação é o “esclarecimento do crime” e já foi realizada, pois não há dúvidas que Pâmela foi vítima de um feminicídio. A segunda fase é a de localização e prisão do suspeito.

No decorrer da investigação surgiu um fato novo. De acordo com o delegado Danilo Charbel, através de documentos e relatos testemunhais, foi constatado que, no dia 12 de fevereiro de 2020, o homem já havia provocado um aborto em Pâmela após agredi-la.

A vítima estava grávida de três meses, constatada através de exames de sangue. Ela chegou a ter o pré-natal iniciado na cidade onde morava. Nós tivemos conhecimento através das testemunhas, que, no dia 12 de fevereiro deste ano, ela sofreu um aborto”. Ainda conforme o delegado Danilo, na ficha de Pâmela, no posto de saúde, consta “um aborto espontâneo”, no entanto, as testemunhas informaram que ela havia sido agredida e depois disso teria abortado.

“Nós vamos opinar para o Ministério Público para que a prefeitura de Poço de José de Dantas instaure um inquérito investigativo para apontar o esclarecimento do fato”, disse.

Pâmela do Nascimento já era mãe de três filhos. Uma filha mora em São Paulo e os outros dois filhos no Sertão, com ela. Conforme o delegado Danilo, no dia do crime a vítima não tinha nenhum familiar na cidade, pois todos se encontravam em São Paulo.

Nós sempre buscamos familiares para entendermos fatos anteriores ao crime, mas a mãe e os irmãos dela estavam em outro estado”.

‘Possessivo, ciumento e de temperamento altamente agressivo’

O delegado Glauber Fontes define o suspeito como “possessivo, ciumento e de temperamento altamente agressivo, que ficou sobejamente demonstrado dos autos”. Para Glauber, o caso de Pâmela é um caso típico de feminicídio.

Fonte: Cofemac

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