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PEGANDO FOGO: “COLUNA FAISQUEIRA” Jornal Gazeta do Alto Piranhas desta sexta-feira (22). Leia

Wilson Braga e Cajazeiras

Quando Wilson Braga pisava os pés em Cajazeiras uma das primeiras providências era chamar Boréu, que não largava do seu pé, e dizia: troque ali no armazém de Arcanjo este dinheiro: traga 100 notas de cinco, 50 de dez e 50 de vinte reais. Em cada bolso das calças colocava as notas separadas e dependendo de quem pedia uma “grana” ele puxava pela “orelha” e dependendo da “importância” do pedinte,  nunca errava o bolso.

 

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Quando lhe pediam uma feirinha de alimentos, ele falava no meio do povo: “Arcanjo, esta mulher vai pegar uma feira lá em seu armazém amanhã”, ou quando era um colchão porque estava dormindo em cima de um papelão, ele gritava: “Zé Cavalcante, vem cá! Dê este colchão a esta mulher”. E quem tivesse ao seu lado, a cada pedido ele dava uma incumbência para um amigo e todos atendiam com prazer aos pedidos de Wilson, que tinha um coração enorme para com os necessitados.

 

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O radialista Arnaldo Lima não “escapava” das brincadeiras de Wilson Braga: quando o encontrava assim o tratava: “como vai Arnaldo Tavares de Albuquerque” e dizia que o mesmo era filho de Edme Tavares, de quem foi ao longo de sua carreira política muito amigo e aliado.

 

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Havia uma profunda admiração entre Padre Luiz Gualberto de Andrade e Wilson Braga, que não media esforços para atender aos pedidos dele em beneficio da Faculdade de Filosofia, que costumava afirmar: “este é o maior benfeitor da FAFIC” e foi paraninfo, por mais de uma vez de todas as turmas concluintes da faculdade. Era o reconhecimento e a gratidão.

 

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Duas pessoas eram sempre solicitadas por Wilson Braga: João Costa, seu conterrâneo, e Manoel Caiçara, agente fiscal aposentado, quando se “aposentou” da política. Eram estes dois que o municiava de informações do que ocorria em Cajazeiras. Queria saber noticia sobre Wilson, era só perguntar ao João Costa.

 

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Quando eleito governador, depois da posse, Cajazeiras aguardava ansiosamente que um filho da terra fizesse parte do primeiro escalão de seu governo e foi aquela decepção, mas quando cobrado, respondia: “Cajazeiras já tem o mais importante cargo do estado que é o governador”. E encheu a cidade de obras e serviços. E costumava dizer: “tudo que me pediram eu fiz”.

 

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Eleito governador, havia em Cajazeiras, um grupo de oposição no fisco de Cajazeiras, que começou a aplicar umas multas meio volumosas em alguns comerciantes que haviam se declarado abertamente ao seu favor durante a campanha. Ao tomar conhecimento determinou uma revisão e que fosse pago o justo imposto devido ao estado. Wilson nunca perseguiu ninguém em Cajazeiras, até mesmo os seus mais ferrenhos adversários.

 

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Epitácio Leite Rolim, que foi prefeito de Cajazeiras por mais de doze anos, sempre votou em Wilson Braga. Era unha e carne. E vivia dizendo: “se for atender a tudo que ele pede, não vai sobrar nada para o resto do estado”.

 

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Todas as vezes que vinha a Cajazeiras era um festa e quando era deputado federal houve um almoço no Restaurante Kartier, de Taciano Grangeiro, que ficava na Rua Padre Manoel Mariano, faltou cadeira pra tanta gente. Bebida e comida a rolo.

 

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Apresentada a conta, quando todos pensavam que ele ia pagar, falou alto: “em mesa que tem prefeitos, quem paga a conta são eles”. Neste dia tinha os de Cajazeiras, Epitácio Leite; de Cachoeira, Sousa Bandeira; de Santa Helena, Elair e de Bonito, Sabino Dias. Levantou-se, pôs o paletó no ombro e caiu fora. E os prefeitos fizeram o racha.

 

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Eleito pela terceira vez como deputado federal, encontrou-se com um cidadão que havia feito a nomeação dele para os Correios Telégrafos de Cajazeiras, na calçada da FAFIC, na Rua Padre Rolim: “amigo velho, tomei conhecimento que você não votou em mim, mas vou esquecer, mas não se esqueça de mim na próxima eleição”. O cidadão gaguejou, mas não o convenceu que havia nele votado. Até Padre Gualberto que a tudo ouviu ficou achando graça.

 

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Lamentou muito não ter podido vir para a festa dos 90 anos de vida de seu grande amigo José Cavalcanti e de quem foi o responsável pela aquisição/negociação da Difusora Rádio Cajazeiras, queixou-se a muitos outros amigos. Wilson deixa saudades e sentimentos profundos nos corações de muitos cajazeirenses.

 

Fonte: ” Coluna Faisqueira”  Jornal Gazeta do Alto Piranhas

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