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Denúncia de Carlos Antônio; Zé Aldemir se recusa a falar sobre esquema de notas frias em seu gabinete

Doze dias após o ex-prefeito de Cajazeiras, Carlos Antônio, denunciar ao jornal ‘Gazeta do Alto Sertão’ um suposto esquema de notas fiscais frias no gabinete do deputado estadual José Aldemir (PP), ele se recusou a dar sua versão sobre as declarações  do ex-gestor.
Em contato com o Blog do Gordinho, o parlamentar disse que estava em São Paulo onde, segundo ele, está se submetendo a exames, e se recusou a falar com a reportagem, apesar da insistência.
José Aldemir, que se lançou pré-candidato a prefeito de Cajazeiras nas eleições deste ano, foi acusado no último dia 1º de se valer, à época, da condição de 1º secretário da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa para ratear recursos da verba indenizatória com lideranças políticas e cabos eleitorais da região.
Segundo o ex-prefeito, Aldemir apresentou ao Poder Legislativo notas fiscais frias referentes a serviços advocatícios que nunca foram executados pelo advogado Sílvio Nogueira, que trabalhou na campanha eleitoral do deputado.
Entenda o caso
Carlos Antônio explicou que o esquema de notas frias contava com a ajuda de Hamilton Noleto, então motorista do deputado. Ele disse que Silvio foi procurado várias vezes pelo assessor para fornecer notas que foram encaminhadas para a Assembleia Legislativa, que seriam utilizadas para cobrir despesas da verba indenizatória destinada ao uso exclusivo do gabinete do parlamentar.
O advogado Sílvio Nogueira, procurado pela reportagem, confirmou a informação de que Hamilton Noleto, o procurava já com as notas emitidas. Ele alegou que se disponibilizou a ‘ajudar’ José Aldemir “por ser seu aliado político na época”.
“Fui procurado por Hamilton, que era motorista de José Aldemir, que solicitou um recibo para justificar pagamentos juntos à Assembleia Legislativa. Ele pediu para que eu disponibilizasse uma nota, um recibo e essa pessoa, no caso, Hamilton, já veio com o recibo e a nota. Por uma questão de reconhecimento o deputado havia me prestado alguns favores, considerando essa questão, eu apenas acreditei que não iria prejudicar nada em relação a essa natureza”, alegou.
De acordo com as informações obtidas do Sagres por Carlos Antonio, “José Aldemir reembolsou do Poder Legislativo durante o ano de 2013, a quantia de R$ 419.637,00, e em 2014, R$ 314.999,55, quando era 1º secretário.
Sílvio Nogueira revelou também que “assinava recibos para José Aldemir desde 2011, prática que acabou em 2014, após sua reeleição”.
“Eu até perguntei se isso não iria me prejudicar a  título de prestação de imposto de renda, ele me disse apenas que era para justificar o reembolso de pagamentos dentro do gabinete”, disse.
Segundo ele, “outro advogado também assinava recibos para José Aldemir sem nunca ter prestado serviço ao gabinete do parlamentar, em períodos intercalados. Forneci sem nenhum problema, sem nenhum ato de maldade”, falou.
Ele confirmou que as notas já vinham com os valores de R$ 3 mil mensais, como atestam os documentos.
“Eu sabia que cada nota restringia o valor de R$ 3 mil para suprir despesas dentro do gabinete, pois eles não tinham documentos. Nunca recebi um real, nunca fizeram nenhum depósito, nem me entregaram cheques”, explicou.

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